03 de Maio de 2011

Senta-se o menino no portal,

à espera que o tempo passe,

beija a fotografia da mãe

como se de saudade se tratasse.

 

Ela foi trabalhar,

abalando bem cedinho,

para fugir ao trânsito desenfreado

E das portagens no caminho.

 

O pai, esse está desempregado,

à espera biscateando,

a escola não tem ATL

e o tempo vai passando.

 

Ouve as músicas dos vizinhos,

são sempre as mesmas, não há dinheiro.

Chega o ordenado ao banco,

já desapareceu, nem o cheiro.

 

No bairro negro do menino,

tudo é negro, até a alma das gentes.

Debocham dos governantes patetas

chamam-lhes porcos dementes.

 

Sentado, o menino pensa

que quando for grande quer ser doutor,

para que não falte na mesa o pão,

e na familia o amor.

 

A mãe chega, vem cansada.

Um beijo na testa, carinho demonstrado.

O jantar espera, o pai chega,

Está na hora de continuar o fado.

 

A maioria vota por votar,

outros não votam, deixam estar,

mas na hora da conta pagar

a revolta é muita, mas engolem o sapo

e continam os porcos dementes a sustentar.

 

publicado por luzesletrasimagem às 11:09

fantastico :)
muito bom mesmo :)
jokas
4 de Maio de 2011 às 17:26

Gosto muito de Zeca Afonso. As suas letras são intemporais. Vejo que te inspirou a escrever este belíssimo poema. Profundo, cheio de sentimento e muito bem construído.
Tenta ouvir a nova versão de " bairro negro" na voz do Nuno Guerreiro, acho que vais gostar.
5 de Maio de 2011 às 22:51

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